segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Já nem sei quantas vezes me peguei paralisada diante da impossibilidade de comunicação entre as pessoas. E já não sei quantas outras, diante da mágica de compartilhar algo sem saber bem ao certo como isso aconteceu.

Outro dia foi assim. Fui assistir um filme e fiquei impressionada com o quanto tinha dialogado com ele. Em seguida, saí do cinema e constatei justamente o que o filme mostrava: as palavras às vezes não servem para absolutamente nada. Até mesmo os mais eloqüentes e didáticos se perdem tentando fisgar as palavras certas no infinito interior e mesmo que consigam escolher as melhores possíveis, como já diria Clarice, o que você sente grandioso dentro de si acaba lentamente se tornando aquilo que é dito.

Nada muito novo, considerando que Platão já sabia que o mundo das idéias era o único perfeito e uma vez que tentássemos transpô-lo para a realidade, deixaria de ser. Mas sabe o que eu acho? Dá pra fazer o processo inverso: transpor o que aconteceu de verdade para o mundo das idéias perfeitas. Quem nunca se pegou lembrando de um fim de tarde qualquer, onde se via o pôr-do-sol bem vermelho, uma brisa soprava e você era feliz por nada? E é claro que esse pôr-do-sol e essa felicidade só existem agora por causa da distância e da idealização.

Já se viu sonhando com algo para o futuro? Ou pior ainda, sonhando junto com alguém sobre um futuro com dias melhores, mais belos, onde a vida acontece e você participa dela? Como um avião que decola e carrega só aqueles que estão preparados para decolar com ele? Idéias...ideais...anseios...sonhos...felicidade. E será que quando você estiver anos à frente, lembrando de quando sonhava junto do seu amor, não lembrará o quanto era feliz e não se dava conta disso?

E que atire a primeira pedra quem souber exatamente o que fazer com o presente: essa entidade eterna que cabe em um milésimo de segundo. E que atire a segunda pedra quem nunca falou, falou, falou e não disse nada (como eu acho que não disse com esse texto). E a terceira pedra de quem nunca assistiu um filme ou leu um livro e “dialogou” com eles (é triste pensar que os melhores diálogos são do indivíduo consigo mesmo). E uma quarta pedra quem nunca compartilhou muito sem palavra alguma, mas só de fechar os olhos e imaginar uma vida maravilhosa, perfeita, feliz junto com alguém que fechou os olhos com você. Afinal de contas, o que é a realidade senão os pequenos mundos de fantasia que criamos para ela?

Nenhum comentário:

Postar um comentário